
quarta-feira, 28 de outubro de 2009
Uma história de amor
Uma verdadeira história de amor...
[ Trecho do livro "Romance à Maneira de Deus". ]
"...Um dia, o atraente soldado John Blanchard foi à biblioteca para ler um livro. (Sei que esse tipo de passatempo pode parecer bem sem graça, mas, provavelmente, ele devia estar sentindo muita saudade do seu lar e não sabia o que fazer. Mas isso o levou a algo bem mais interessante.)
John ficou impressionado ao ler umas anotações feitas nas margens de um livro que folheava:
- Nossa, gostaria de conhecer a pessoa que escreveu essas palavras. Elas são tão profundas e inspirativas! Descobriu um nome na capa do livro: Harlyss Maynell, Nova Iorque. (É, sei que ela tem um nome bem esquisito, mas guarde esse nome: Harlyss Maynell é uma personagem muito importante nessa história.)
De alguma forma, John tinha certeza de que havia sido ela quem escrevera nas margens do livro. Então, ele fez algo ainda mais doido e impulsivo, o tipo de coisa que acaba naquela lista dos "dez mais" que dizem que você está solitário quando vai até a biblioteca, encontra um nome na capa de um livro e telefona para a pessoa convidando-a para sair. Bem, está bem, John não convidou Harlyss para sair, mas ele ligou para ela! Procurou o seu nome na lista telefônica de Nova Iorque e perguntou-lhe se poderiam começar a se corresponder. (Isso foi antes de existir o e-mail). Aquela atitude foi bem audaciosa. O cara nem conhecia Harlyss. Ela poderia ser uma traficante, integrante da máfia ou uma assassina! Mas ele estava disposto a ir fundo naquilo.
Que será que ela havia escrito nas margens do livro? Aquelas palavras deviam ser bem inspirativas, não é? Talvez John precisasse desesperadamente de um amigo. Mas voltemos a Harlyss Maynell. Ao que parece, ela devia ser uma pessoa formidável. E deve ter tido uma queda por John, pois concordou em corresponder-se com ele, mesmo sabendo que ele estava indo para a guerra, na Europa. Começaram a se corresponder, e logo John ficou apaixonado por Harlyss... mesmo nunca a tendo conhecido! Ele conhecia apenas o que ela havia escrito nas cartas e nas margens do livro. Entretanto, estava apaixonado! (Garotas, será que vocês não gostariam de ter umas aulinhas de redação com Harlyss? Imaginem, ganhar o coração de um homem com uma caneta! Vocês nem teriam de usar mais o recurso da maquiagem! Brincadeirinha!)
Acho que John deve ter começado a ficar bem inquieto por não saber como Harlyss era fisicamente, pois, um dia, John escreveu a Harlyss, pedindo-lhe uma foto. Mas ela respondeu de forma bem categórica: "Não, não enviarei uma foto minha, porque os relacionamentos não devem ser baseados apenas nas aparências." (Oh, rapazes, vocês considerariam isso um sinal de que talvez Harlyss não seja a pessoa mais bonita deste mundo? Claro que a garota poderia escrever bem, mas o que será que havia de errado com a sua aparência para ela não mandar uma foto?) Muitos caras talvez tivessem desistido bem aí. Mas não foi o que John fez. Como eu disse, as cartas e as anotações dela eram maravilhosas. Por isso John deve ter pensado que ela era apenas uma mulher geniosa. Continuou a ficar cada vez mais apaixonado por ela, mesmo sem nenhuma foto dela para colocar debaixo do travesseiro. Imagine amar alguém que você nunca viu, mas por quem está profundamente apaixonado!
Finalmente surgiu uma oportunidade para John conhecer pessoalmente Harlyss.
Ele estava voltando para os Estados Unidos e escreveu a Harlyss, propondo-lhe um encontro em algum lugar onde pudessem jantar. Ela respondeu-lhe que o encontraria na Estação Central de Nova Iorque, bem embaixo do grande relógio. Harlyss disse a John que ele a reconheceria pelo fato de que ela estaria com uma rosa vermelha na lapela. Então, o dia chegou, e John ficou debaixo do grande relógio esperando, esperando. Ele estava um pouquinho nervoso. Afinal de contas, aquele não era um primeiro encontro casual.
Quero dizer, como você se sentiria se estivesse apaixonado pela letra de alguém e tivesse que conhecer não apenas a mão, mas também os olhos e o rosto dessa pessoa? E o lance da fotografia? Será que ela estava escondendo alguma coisa? Todas aquelas perguntas inundavam a sua mente alguns segundos antes de ele descobrir a verdade. Uma linda mulher, com um sorriso provocante, começou a andar em sua direção, fazendo com que ele a seguisse com o olhar. Por um breve momento, John pensou estar olhando para Harlyss.
Ele nem podia acreditar na sua própria sorte! Ela não era apenas uma grande e talentosa escritora, ela era maravilhosa! Mas, aí, ele percebeu que ela não tinha um rosa na lapela. E o seu coração se apertou em desgosto, enquanto ela passava por ele. De repente, viu uma mulher que tinha uma rosa vermelha na lapela. Ela estava em sua frente, sorrindo para ele. Ele quase desmaiou em desespero. Ela era uma senhora simples, baixinha e gordinha, mais velha que a própria mãe de John, de cabelos brancos caindo por debaixo de um chapéu surrado. Seus olhos brilharam quando olhou para ele. Ele olhou novamente para a jovem e linda mulher que desaparecia entre a multidão e sentiu-se dividido.
(Sei que esta narração deve estar um pouco incompleta. Quero dizer, rapazes, o que vocês fariam numa situação dessas? Um rapaz conhecido meu disse que, se fosse John Blanchard, teria voltado correndo para a guerra e feito de tudo para levar um tiro!) Mas John Blanchard foi um herói. Fico contente, porque estou começando a gostar dele. Ele não fugiu, ou passou despercebido, ou agiu rudemente. Na verdade, ele percebeu que, mesmo não podendo construir um relacionamento romântico com Harlyss, ele poderia mostrar gratidão àquela mulher que havia sido uma verdadeira amiga por meio de suas cartas. Então, ele sorriu (o mais que pôde) e disse àquela senhora gordinha:
- Oi, a senhora deve ser Harlyss Maynell. Muito obrigado por ter vindo se encontrar comigo. Será que poderemos jantar juntos? (Agora sim, isso foi uma atitude nobre! Quantos caras que vocês conhecem teriam feito o mesmo?)
A senhora ficou surpresa e disse: - Filho, não sei exatamente o que é que está acontecendo, mas sabe aquela jovem que passou por você agora mesmo? Ela me pediu para usar esta rosa e me disse que, se você me convidasse para jantar, ela o estaria esperando no grande restaurante do outro lado da rua. Ela me disse que era um tipo de teste.
Nossa! Será que as suas emoções podem agüentar uma história dessas? No momento em que você estava ficando frustrado, Harlyss Maynell vira o jogo e mostra ser talentosa, bonita e inacreditavelmente inteligente. Ela sabia que não desejava entrar em um relacionamento com um rapaz sem caráter. Ela sabia que um homem com caráter daria mais valor ao interior de um pessoa do que ao exterior. Que forma de descobrir o caráter de um homem!
Garotas, antes de se apaixonarem por qualquer um, façam o teste. Vocês não querem passar o resto de suas vidas com um "banana". John Blanchard provou ser digno de toda a atenção e tempo de Harlyss. Não se contentem com homem nenhum que não seja digno de seu tempo e atenção. Mantenham seus padrões elevados! Para aqueles rapazes corajosos que ficaram conosco durante todo esse capítulo, meus parabéns. Tenho certeza de que não conseguiram lê-lo sem um pouco de suor e mal-estar. Mas acredito que, pela graça de Deus, até mesmo você pode ser transformado em um "cavaleiro de armadura brilhante"! E nunca se sabe, talvez uma das lindas garotas que estão lendo este mesmo livro, neste exato momento, possa tornar-se a sua princesa algum dia, por isso é melhor começar a fazer alguma coisa! Ela tem padrões elevados até o céu, e você sabe que ela saberá discernir se você é um verdadeiro "cavaleiro" ou não! ...."
(Trecho extraído do livro "Romance à Maneira de Deus", de Eric e Leslie Ludy.)
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
segunda-feira, 31 de agosto de 2009
Os filhos malditos...
Os únicos filhos malditos...
O filho, na perspectiva cristã, é um presente de Deus para o casal, é a melhor herança que se pode ganhar. É o selo, o fruto de uma só carne, a expressão do amor do homem e da mulher. Todavia, muitas vezes no afã de querer proteger demais o nome da instituição, as igrejas conseguem tornar maldito tudo o que foi abençoado por Deus, assim ocorreu com o sexo, com a música e com os filhos.
Espantosamente cresce o número de moços e moças que se tornam pais e mães antes de se casarem, e não se assuste, pois isso cresce espantosamente nas nossas igrejas evangélicas. E todos sabem o que acontece a estes. Eles são altamente recriminados pela igreja, pois comumente pensa-se que se existe um pecado imperdoável esse pecado é o sexo. É exatamente isso que acontece com a maioria dos casais de namorados que na sua juventude transam descuidadosamente e depois descobrem que estão à espera de um filho. Eles são disciplinados fortemente pela igreja. O fato se torna vulgar, todos sabem, todos comentam. Eles passam a ser olhados de forma diferente nos cultos. Muitos amigos se afastam e pouco a pouco eles se distanciam da comunidade deixando de congregar com os irmãos.
Na tentativa de jogar a água suja, a igreja joga o bebê junto. Isso ocorre literalmente, pois os filhos desses casais nascem sob uma maldição, nascem com o estigma de um descuido dos pais, nascem como algo que aconteceu e não deveria nunca ter ocorrido. Filhos que recebem, às vezes, o ódio da mãe e do pai por ser a causa da vergonha de uma falha em uma hora errada. Filhos que recebem a rejeição muitas vezes da própria família. Filhos e Filhas que se tornam malditos perante o mundo religioso.
Lembro-me do dia em que minha irmã foi contar para o meu pai que estava grávida. Ela estava morrendo de medo, pois meu pai era líder na igreja e isso soaria muito mal para sua reputação. Meu pai estava fazendo uma vitamina para o café, minha irmã se aproximou e desabafou em meio às lagrimas. Meu pai não respondeu nada, permaneceu em silêncio com a cara fechada. Nesse instante, toda a casa foi tomada por um silêncio, só ouvíamos o suspirar de minha irmã. Após alguns minutos, meu pai se dirigiu a ela com um copo de vitamina dizendo: Toma isto, pois irá fazer bem para o meu neto. Imediatamente, lembrei-me das palavras de Jesus: “Se vós que sois maus sabeis dar bons presentes aos seus filhos imagine Deus que é Bom...” (Mt 7.11).
Não quero defender a idéia de que ser pai antes de casar é correto, mas estou cansado de ver adolescentes e jovens morrendo espiritualmente por causa da intolerância religiosa que valoriza a moralidade em detrimento da misericórdia.
Reafirmo a benção que é ter filhos e filhas no momento oportuno dado por Deus que é o casamento. E que em Deus somos abraçados pelo arrependimento e restaurados pela graça, e Nele nós e nossos filhos nos tornamos Bem-Aventurados!
Calebe Ribeiro (Min. JV na Estrada)
O filho, na perspectiva cristã, é um presente de Deus para o casal, é a melhor herança que se pode ganhar. É o selo, o fruto de uma só carne, a expressão do amor do homem e da mulher. Todavia, muitas vezes no afã de querer proteger demais o nome da instituição, as igrejas conseguem tornar maldito tudo o que foi abençoado por Deus, assim ocorreu com o sexo, com a música e com os filhos.
Espantosamente cresce o número de moços e moças que se tornam pais e mães antes de se casarem, e não se assuste, pois isso cresce espantosamente nas nossas igrejas evangélicas. E todos sabem o que acontece a estes. Eles são altamente recriminados pela igreja, pois comumente pensa-se que se existe um pecado imperdoável esse pecado é o sexo. É exatamente isso que acontece com a maioria dos casais de namorados que na sua juventude transam descuidadosamente e depois descobrem que estão à espera de um filho. Eles são disciplinados fortemente pela igreja. O fato se torna vulgar, todos sabem, todos comentam. Eles passam a ser olhados de forma diferente nos cultos. Muitos amigos se afastam e pouco a pouco eles se distanciam da comunidade deixando de congregar com os irmãos.
Na tentativa de jogar a água suja, a igreja joga o bebê junto. Isso ocorre literalmente, pois os filhos desses casais nascem sob uma maldição, nascem com o estigma de um descuido dos pais, nascem como algo que aconteceu e não deveria nunca ter ocorrido. Filhos que recebem, às vezes, o ódio da mãe e do pai por ser a causa da vergonha de uma falha em uma hora errada. Filhos que recebem a rejeição muitas vezes da própria família. Filhos e Filhas que se tornam malditos perante o mundo religioso.
Lembro-me do dia em que minha irmã foi contar para o meu pai que estava grávida. Ela estava morrendo de medo, pois meu pai era líder na igreja e isso soaria muito mal para sua reputação. Meu pai estava fazendo uma vitamina para o café, minha irmã se aproximou e desabafou em meio às lagrimas. Meu pai não respondeu nada, permaneceu em silêncio com a cara fechada. Nesse instante, toda a casa foi tomada por um silêncio, só ouvíamos o suspirar de minha irmã. Após alguns minutos, meu pai se dirigiu a ela com um copo de vitamina dizendo: Toma isto, pois irá fazer bem para o meu neto. Imediatamente, lembrei-me das palavras de Jesus: “Se vós que sois maus sabeis dar bons presentes aos seus filhos imagine Deus que é Bom...” (Mt 7.11).
Não quero defender a idéia de que ser pai antes de casar é correto, mas estou cansado de ver adolescentes e jovens morrendo espiritualmente por causa da intolerância religiosa que valoriza a moralidade em detrimento da misericórdia.
Reafirmo a benção que é ter filhos e filhas no momento oportuno dado por Deus que é o casamento. E que em Deus somos abraçados pelo arrependimento e restaurados pela graça, e Nele nós e nossos filhos nos tornamos Bem-Aventurados!
Calebe Ribeiro (Min. JV na Estrada)
sábado, 29 de agosto de 2009
sábado, 22 de agosto de 2009
A igreja evangélica cresce no Brasil! Será?!
"Não dá mais para agüentar tanta promessa de bênção. Enche ter de ouvir pastores oferecendo os mais ricos votos de felicidade e proteção divina a cada culto. Ser abençoado tornou-se quase uma obsessão evangélica nacional.
Promete-se tanta riqueza, saúde física e felicidade que, pelo número de campanhas de oração realizadas, o Brasil já deveria ter melhorado em algum dos índices de qualidade de vida das Nações Unidas; com algum alívio na distribuição de renda ou menos fila nos ambulatórios públicos.
Chega de promessa de bênção. A espiritualidade cristã com suas orações, ritos e expectativas não gira em torno da vontade de ganhar o benefício celestial. A ênfase dos Evangelhos não se resume a um só tema. Jesus lembrou Seus primeiros discípulos que antes de se preocuparem em salvar a vida, eles precisariam estar dispostos a perdê-la (Marcos 8:35).
A grandeza de uma causa não é determinada pelo que seus seguidores ganham ao segui-la, mas pelo preço que estão dispostos a pagar por ela.
Chega de promessa de bênção. Os auditórios lotados de pessoas ávidas por receber mais favor divino favorecem o egocentrismo. Quanto mais se promete, mais se quer receber. Esse caminho não tem fim. O Salmo 106 narra o comportamento dos judeus no período da sua libertação do cativeiro egípcio.
Depois de sucessivos milagres, o povo parecia não se saciar, sempre exigindo mais. Esse fascínio pela próxima intervenção transformou-se em cobiça, e o versículo 15 trás uma dura sentença: “[Deus] concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma.”
Chega de promessa de bênção. A Bíblia não pode ser encolhida a uma caixinha de afirmações otimistas. Para continuar com seu discurso de caráter prático, a maioria dos pastores só cita textos tirados do Antigo Testamento e, ainda, do período judaico anterior ao exílio.
Os sermões que procuram enfatizar bênçãos deixam de lado os textos contundentes do Novo Testamento em que os cristãos são convocados a viverem em um mundo cruel e doloroso. Jesus não tentou dourar a pílula e nem encobriu a verdade: “No mundo, passais por aflições” (João 16:33).
Paulo advertiu a Igreja a não se imaginar numa redoma de prosperidade: “E, tendo anunciado o Evangelho naquela cidade e feito muito discípulos, voltaram... fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, por meio de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:21-22).
Jesus revelou à igreja de Esmirna, no Apocalipse, o teor de sua missão: “Não temas as coisas que tens de sofrer” (Apocalipse 2:10).
Chega de promessa de bênção. Quem se obriga verbalmente a dar tudo, se adorado, é o diabo, nunca Deus (Mateus 4:9). A espiritualidade judaico-cristã não se estabelece sobre utilitarismos. Deus não quer adoração por aquilo que Ele dá, mas por quem Ele é.
No livro de Jó, Satanás fez uma acusação gravíssima contra Deus. Ele tentou incriminar Jeová por só ser amado por Seus filhos por suborno: “Porventura, Jó debalde teme a Deus?” (Jó 1:9). A narrativa poética do livro inteiro deixa claro que o Senhor não era amado por Suas inúmeras bênçãos sobre a vida e a família de Jó que, pobre, ainda pôde exclamar: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1:21).
Chega de promessa de bênçãos. A virtude cristã que se deve buscar prioritariamente é justiça. No Sermão da Montanha, os que tiverem fome e sede de justiça serão fartos (Mateus 5:6). Quando o cristianismo destaca a promoção da justiça, todas as demais bênçãos se tornam secundárias (Mateus 6:33). Aliás, não existe pregação legitimamente evangélica sem a busca do direito: “O reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:1).
Antes de quererem para si a benevolência do Senhor, os crentes deveriam almejar a promessa de Isaías 61:3: “A fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.”
A Igreja Evangélica cresce velozmente no Brasil, mas será que percebeu todas as implicações do que significa seguir a Cristo?"
Promete-se tanta riqueza, saúde física e felicidade que, pelo número de campanhas de oração realizadas, o Brasil já deveria ter melhorado em algum dos índices de qualidade de vida das Nações Unidas; com algum alívio na distribuição de renda ou menos fila nos ambulatórios públicos.
Chega de promessa de bênção. A espiritualidade cristã com suas orações, ritos e expectativas não gira em torno da vontade de ganhar o benefício celestial. A ênfase dos Evangelhos não se resume a um só tema. Jesus lembrou Seus primeiros discípulos que antes de se preocuparem em salvar a vida, eles precisariam estar dispostos a perdê-la (Marcos 8:35).
A grandeza de uma causa não é determinada pelo que seus seguidores ganham ao segui-la, mas pelo preço que estão dispostos a pagar por ela.
Chega de promessa de bênção. Os auditórios lotados de pessoas ávidas por receber mais favor divino favorecem o egocentrismo. Quanto mais se promete, mais se quer receber. Esse caminho não tem fim. O Salmo 106 narra o comportamento dos judeus no período da sua libertação do cativeiro egípcio.
Depois de sucessivos milagres, o povo parecia não se saciar, sempre exigindo mais. Esse fascínio pela próxima intervenção transformou-se em cobiça, e o versículo 15 trás uma dura sentença: “[Deus] concedeu-lhes o que pediram, mas fez definhar-lhes a alma.”
Chega de promessa de bênção. A Bíblia não pode ser encolhida a uma caixinha de afirmações otimistas. Para continuar com seu discurso de caráter prático, a maioria dos pastores só cita textos tirados do Antigo Testamento e, ainda, do período judaico anterior ao exílio.
Os sermões que procuram enfatizar bênçãos deixam de lado os textos contundentes do Novo Testamento em que os cristãos são convocados a viverem em um mundo cruel e doloroso. Jesus não tentou dourar a pílula e nem encobriu a verdade: “No mundo, passais por aflições” (João 16:33).
Paulo advertiu a Igreja a não se imaginar numa redoma de prosperidade: “E, tendo anunciado o Evangelho naquela cidade e feito muito discípulos, voltaram... fortalecendo a alma dos discípulos, exortando-os a permanecer firmes na fé; e mostrando que, por meio de muitas tribulações, nos importa entrar no reino de Deus” (Atos 14:21-22).
Jesus revelou à igreja de Esmirna, no Apocalipse, o teor de sua missão: “Não temas as coisas que tens de sofrer” (Apocalipse 2:10).
Chega de promessa de bênção. Quem se obriga verbalmente a dar tudo, se adorado, é o diabo, nunca Deus (Mateus 4:9). A espiritualidade judaico-cristã não se estabelece sobre utilitarismos. Deus não quer adoração por aquilo que Ele dá, mas por quem Ele é.
No livro de Jó, Satanás fez uma acusação gravíssima contra Deus. Ele tentou incriminar Jeová por só ser amado por Seus filhos por suborno: “Porventura, Jó debalde teme a Deus?” (Jó 1:9). A narrativa poética do livro inteiro deixa claro que o Senhor não era amado por Suas inúmeras bênçãos sobre a vida e a família de Jó que, pobre, ainda pôde exclamar: “Nu saí do ventre de minha mãe e nu voltarei; o Senhor deu e o Senhor o tomou; bendito seja o nome do Senhor!” (Jó 1:21).
Chega de promessa de bênçãos. A virtude cristã que se deve buscar prioritariamente é justiça. No Sermão da Montanha, os que tiverem fome e sede de justiça serão fartos (Mateus 5:6). Quando o cristianismo destaca a promoção da justiça, todas as demais bênçãos se tornam secundárias (Mateus 6:33). Aliás, não existe pregação legitimamente evangélica sem a busca do direito: “O reino de Deus não é comida, nem bebida, mas justiça e paz e alegria no Espírito Santo” (Romanos 14:1).
Antes de quererem para si a benevolência do Senhor, os crentes deveriam almejar a promessa de Isaías 61:3: “A fim de que se chamem carvalhos de justiça, plantados pelo Senhor para a sua glória.”
A Igreja Evangélica cresce velozmente no Brasil, mas será que percebeu todas as implicações do que significa seguir a Cristo?"
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